Lista de permissões de IPs da Cloudflare na origem: 3 formas de bloquear tráfego externo

Se o IP do servidor de origem vazar, a proteção da Cloudflare pode se tornar inútil. Assim que descobre esse IP, um invasor consegue contornar a Cloudflare e atacar diretamente o servidor: o tráfego DDoS chega à origem, enquanto portas e vulnerabilidades podem ser verificadas. Há várias formas de exposição, como sites de consulta de certificados SSL, registros DNS históricos e subdomínios ou sistemas de e-mail que não passam pela CDN.
Para proteger de verdade o servidor de origem, não basta ativar o proxy da Cloudflare. É necessário configurar o firewall no servidor para aceitar somente os IPs usados pela Cloudflare na conexão com a origem e bloquear todo o restante. Este artigo apresenta três opções: o painel BT, que é a mais simples; uma configuração direta no Nginx, que oferece mais flexibilidade; e a validação por certificado de origem, que é a mais segura. Você também encontrará a lista completa de IPs, as etapas de configuração, os testes e a solução dos problemas mais comuns.
Por que bloquear o tráfego que não vem da Cloudflare? Os riscos reais do vazamento do IP de origem
Primeiro, vale entender como o IP de origem pode vazar. Eu também achava, ingenuamente, que bastava apontar o domínio para a Cloudflare, mas existem várias maneiras de descobrir o endereço real.
Formas comuns de vazamento do IP
Uma das mais típicas é a consulta de certificados SSL. Ao verificar um certificado em um site como myssl.com, o IP real pode acabar exposto. Por quê? Depois que o site passa a usar a CDN da Cloudflare, a verificação do certificado SSL pode mostrar o endereço do servidor de origem. Quando descobri isso, fiquei surpreso: é quase como colocar uma placa dizendo “venha me atacar”.
Outro risco são os registros DNS históricos. Muitos serviços de consulta DNS armazenam resultados anteriores, e alguns provedores afirmam guardar esses dados permanentemente. Mesmo que hoje o domínio esteja na Cloudflare, uma consulta ao histórico ainda pode revelar o IP usado antes da migração.
Subdomínios e sistemas de e-mail também são uma armadilha importante. Muita gente coloca o site principal atrás da CDN, mas esquece os subdomínios ou o servidor de e-mail. Um invasor pode executar ping em mail.example.com ou consultar o cabeçalho original de uma mensagem e descobrir o IP de origem. Um amigo que trabalha com operações de infraestrutura passou por isso: o site principal estava muito bem protegido, mas encontraram o IP do servidor de e-mail e o derrubaram com um ataque direto.
Qual é o impacto do vazamento?
Depois que o IP de origem é descoberto, o invasor pode ignorar a Cloudflare e atacar diretamente o servidor. O tráfego DDoS chega à origem e rapidamente esgota uma conexão com pouca capacidade. Pior: ainda é possível fazer varreduras de portas, procurar vulnerabilidades e preparar ataques direcionados.
Nesse cenário, a proteção da Cloudflare deixa de ajudar. No painel da Cloudflare, tudo pode parecer tranquilo enquanto o servidor de origem está sendo atacado. Um usuário do fórum V2EX já resumiu a situação assim: “O servidor foi atacado; ativei a CDN, mas o IP de origem ainda foi descoberto rapidamente. Em qual etapa pode estar o problema?”. Essa é uma consequência típica de não configurar corretamente a lista de permissões.
Onde encontrar a lista de IPs de origem da Cloudflare e como obter as faixas mais recentes
Para configurar a lista de permissões, o primeiro passo é saber onde estão os IPs usados pela Cloudflare para acessar a origem. A empresa mantém páginas oficiais específicas para isso.
Endereços oficiais das listas de IPs
A Cloudflare mantém estes três endereços:
- Lista completa: https://www.cloudflare.com/ips/
- Lista IPv4: https://www.cloudflare.com/ips-v4
- Lista IPv6: https://www.cloudflare.com/ips-v6
Vale salvar essas páginas nos favoritos, pois elas serão úteis nas próximas manutenções.
Faixas IPv4 atuais da Cloudflare
No momento, os IPs IPv4 usados pela Cloudflare para se conectar à origem incluem estes 15 blocos CIDR. CIDR é uma forma compacta de representar uma faixa contínua de endereços IP:
173.245.48.0/20
103.21.244.0/22
103.22.200.0/22
103.31.4.0/22
141.101.64.0/18
108.162.192.0/18
190.93.240.0/20
188.114.96.0/20
197.234.240.0/22
198.41.128.0/17
162.158.0.0/15
104.16.0.0/13
104.24.0.0/14
172.64.0.0/13
131.0.72.0/22
Essas 15 faixas cobrem cerca de 1,78 milhão de endereços IP.
Faixas IPv6
Se o IPv6 estiver ativado no servidor, inclua também estas faixas:
2400:cb00::/32
2606:4700::/32
2803:f800::/32
2405:b500::/32
2405:8100::/32
2a06:98c0::/29
2c0f:f248::/32
Importante: a Cloudflare atualiza a lista de IPs periodicamente, sem um calendário fixo. Consulte a página oficial a cada um ou dois meses para garantir que sua lista de permissões esteja atualizada. Caso contrário, um novo IP da Cloudflare pode ser bloqueado por engano pelo firewall, impedindo o acesso à origem.
Método 1 — Configurar a lista de IPs da Cloudflare no painel BT (mais simples)
Se você usa o painel BT, a configuração é bem prática. O plugin gratuito de firewall do Nginx permite criar a lista de permissões pela interface, sem editar manualmente os arquivos de configuração.
Etapa 1: instalar o plugin gratuito de firewall do Nginx
Abra o painel BT, clique em Loja de software no menu lateral e acesse a categoria Aplicativos de terceiros. Procure o Nginx Free Firewall. Se ele ainda não estiver instalado, clique no botão de instalação; o processo leva apenas alguns segundos.
Etapa 2: configurar a lista de permissões de IPs
Depois da instalação, clique no botão de configurações do firewall do Nginx para abrir a interface de gerenciamento.
- Clique em Configuração global no menu lateral.
- Localize a seção Lista de permissões de IPs e clique em Configurar.
- Na janela de gerenciamento, adicione uma a uma as faixas IPv4 da Cloudflare.
Há um detalhe: o painel BT pede um IP inicial e um IP final, mas a lista fornecida pela Cloudflare usa o formato CIDR, como 173.245.48.0/20. Como converter? Você pode procurar uma ferramenta online de conversão de CIDR para intervalo de IPs. Por exemplo, 173.245.48.0/20 corresponde ao intervalo de 173.245.48.0 a 173.245.63.255.
Sendo sincero, converter manualmente as 15 faixas dá bastante trabalho. Normalmente procuro uma lista pronta para importação no painel BT; alguns blogs publicam os intervalos já convertidos, bastando copiar e colar.
- Depois de adicionar todas as faixas, clique no botão Importar.
- Reinicie o serviço Nginx.
Atenção: no momento, o painel BT aceita apenas IPv4 pela interface. Se o IPv6 estiver ativado no servidor, será preciso editar a configuração do Nginx manualmente ou usar o segundo método.
Etapa 3: verificar se a configuração funciona
Depois de configurar, faça estes testes:
- Em uma rede móvel 4G, que não seja tráfego da Cloudflare, acesse diretamente o IP de origem. Você deve ver o erro 403 Forbidden.
- Acesse o site pelo domínio, passando pelo proxy da Cloudflare. Ele deve abrir normalmente.
Se aparecer um erro 502, existe algum problema na lista de permissões: talvez faltem faixas de IP ou as regras não tenham sido salvas. Confira se o firewall do painel BT está ativado e confirme se todas as faixas da Cloudflare foram adicionadas.
Método 2 — Configurar a lista de permissões diretamente no Nginx (mais flexível)
Se você não usa o painel BT ou prefere uma configuração mais flexível, também é simples editar diretamente os arquivos do Nginx. Esse método aceita IPv6 e é mais completo que a opção pelo painel.
Etapa 1: criar o arquivo de IPs da Cloudflare
Acesse o servidor por SSH e crie um arquivo dedicado à lista de permissões da Cloudflare:
sudo nano /etc/nginx/cloudflare-whitelist.conf
Adicione o conteúdo abaixo:
# Faixas IPv4 da Cloudflare
allow 173.245.48.0/20;
allow 103.21.244.0/22;
allow 103.22.200.0/22;
allow 103.31.4.0/22;
allow 141.101.64.0/18;
allow 108.162.192.0/18;
allow 190.93.240.0/20;
allow 188.114.96.0/20;
allow 197.234.240.0/22;
allow 198.41.128.0/17;
allow 162.158.0.0/15;
allow 104.16.0.0/13;
allow 104.24.0.0/14;
allow 172.64.0.0/13;
allow 131.0.72.0/22;
# Faixas IPv6 da Cloudflare
allow 2400:cb00::/32;
allow 2606:4700::/32;
allow 2803:f800::/32;
allow 2405:b500::/32;
allow 2405:8100::/32;
allow 2a06:98c0::/29;
allow 2c0f:f248::/32;
# Bloqueia todos os outros IPs
deny all;
Salve o arquivo com Ctrl+O e saia com Ctrl+X.
Ponto essencial: a linha final deny all; é muito importante. Ela informa que todos os IPs que não foram autorizados pelas regras allow devem ser bloqueados. Não omita essa linha.
Etapa 2: incluir a lista na configuração do site no Nginx
Edite o arquivo de configuração do site. Em geral, ele fica em /etc/nginx/sites-available/ no Debian/Ubuntu ou em /etc/nginx/conf.d/ no CentOS.
sudo nano /etc/nginx/sites-available/your-site.conf
Adicione esta linha ao bloco server:
server {
listen 80;
server_name example.com;
# Inclui a lista de permissões da Cloudflare
include /etc/nginx/cloudflare-whitelist.conf;
# Suas outras configurações ficam abaixo...
root /var/www/html;
index index.html;
}
Se o site também escuta a porta 443, usada pelo HTTPS, adicione a mesma linha ao bloco server correspondente.
Etapa 3: testar e recarregar o Nginx
Primeiro, teste a sintaxe dos arquivos de configuração:
sudo nginx -t
Se a saída mostrar syntax is ok e test is successful, a configuração está correta. Em seguida, recarregue o Nginx:
sudo systemctl reload nginx
Pronto: a lista de permissões está configurada.
A vantagem desse método é manter a lista em um arquivo separado. Quando for necessário atualizar os IPs, basta editar cloudflare-whitelist.conf, e vários sites podem reutilizar o mesmo arquivo. É uma opção mais flexível que o painel BT e também aceita IPv6.
Fluxo completo para configurar a lista de IPs de origem da Cloudflare
Da obtenção da lista de IPs à validação da configuração, incluindo o painel BT, o Nginx puro e o certificado de origem
Estimated time: PT20M
-
1
Step 1: Obter a lista de IPs de origem da Cloudflare
Acesse as páginas oficiais da Cloudflare: -
2
Step 2: Método 1: configurar pelo painel BT (mais simples)
Etapas: -
3
Step 3: Método 2: configurar diretamente no Nginx (mais flexível)
Etapas: -
4
Step 4: Método 3: configurar o certificado do servidor de origem (mais seguro)
Etapas: -
5
Step 5: Verificar se a configuração funciona
Em uma rede móvel 4G, que não seja tráfego da Cloudflare, acesse diretamente o IP de origem. A resposta deve ser 403 Forbidden. Pelo domínio, passando pelo proxy da Cloudflare, o site deve abrir normalmente. Se ocorrer um erro 502, confira se todas as faixas foram adicionadas, se a sintaxe está correta e se o firewall está ativado. Se o acesso pela Cloudflare também retornar 403, verifique a posição de deny all e se a lista de IPs está atualizada.
Método 3 — Configurar o certificado do servidor de origem da Cloudflare (mais seguro)
Os dois métodos anteriores já oferecem boa segurança, mas, para requisitos mais rigorosos, você pode adicionar a validação por certificado do servidor de origem. Assim, mesmo que o IP de origem vaze, o acesso direto encontrará um erro de certificado e não conseguirá estabelecer a conexão.
O que é o certificado do servidor de origem da Cloudflare?
Em resumo, o certificado de origem é um certificado TLS assinado pela Cloudflare e usado apenas para criptografar a conexão entre a Cloudflare e o servidor de origem. Os navegadores não confiam nele — somente a Cloudflare —, por isso um invasor que acessar diretamente o IP de origem verá um aviso de certificado e a conexão falhará.
Em conjunto com a lista de permissões de IPs, ele cria uma proteção dupla: a lista bloqueia o tráfego que não vem da Cloudflare, e a validação do certificado garante que somente a Cloudflare consiga estabelecer uma conexão criptografada.
Etapa 1: gerar o certificado do servidor de origem
Entre no painel da Cloudflare, selecione o domínio e acesse SSL/TLS → Servidor de origem.
- Clique no botão Criar certificado.
- Selecione os domínios que deseja proteger; você pode usar um curinga, como
*.example.com. - Escolha o maior prazo de validade, de 15 anos. Como o certificado será usado pela própria Cloudflare, um prazo longo reduz a manutenção.
- Clique em criar.
A Cloudflare gerará dois itens:
- Certificado de origem (Origin Certificate): um certificado em formato PEM.
- Chave privada (Private Key): a chave correspondente.
Salve os dois conteúdos separadamente no servidor, por exemplo:
sudo nano /etc/nginx/certs/cloudflare.crt
# Cole o conteúdo do certificado de origem
sudo nano /etc/nginx/certs/cloudflare.key
# Cole o conteúdo da chave privada
Defina também permissões restritas para proteger a chave privada:
sudo chmod 600 /etc/nginx/certs/cloudflare.key
Etapa 2: configurar o certificado de origem no Nginx
Edite o arquivo de configuração do site e defina o certificado no bloco server do HTTPS:
server {
listen 443 ssl http2;
server_name example.com;
# Usa o certificado de origem da Cloudflare
ssl_certificate /etc/nginx/certs/cloudflare.crt;
ssl_certificate_key /etc/nginx/certs/cloudflare.key;
# Inclui a lista de permissões de IPs
include /etc/nginx/cloudflare-whitelist.conf;
# Outras configurações...
}
Para uma validação mais rigorosa, você também pode ativar a verificação do certificado do cliente. Nesse caso, será necessário baixar o certificado de cliente da Cloudflare:
ssl_client_certificate /etc/nginx/certs/cloudflare-client.crt;
ssl_verify_client on;
Teste e recarregue o Nginx:
sudo nginx -t && sudo systemctl reload nginx
Dica: esse método é indicado para cenários com requisitos muito elevados de segurança. Para a maioria dos administradores, a lista de permissões dos métodos anteriores já é suficiente, sem a necessidade de tornar a configuração tão complexa.
Como testar a configuração e resolver problemas comuns
Antes de comemorar, teste tudo para ter certeza de que a proteção funciona.
Como testar
Método 1: acessar diretamente o IP de origem por uma rede externa à Cloudflare
Use uma rede móvel 4G, ou qualquer outra rede que não passe pela Cloudflare, e digite o IP de origem no navegador, por exemplo, http://123.45.67.89. Se a configuração estiver correta, você deverá ver uma página 403 Forbidden.
Método 2: testar com curl
Execute no computador local, e não no próprio servidor:
curl -I http://IP_DO_SERVIDOR_DE_ORIGEM
A resposta deve ser 403 Forbidden.
Método 3: acessar pelo domínio, passando pelo proxy da Cloudflare
Abra o domínio no navegador, por exemplo, https://example.com. O site deve carregar normalmente. Se esse acesso também retornar 403, há um erro na configuração.
Problemas comuns e soluções
Problema 1: o site mostra um erro 502 após a configuração
Possíveis causas:
- A lista de permissões está incompleta e faltam alguns IPs da Cloudflare.
- Há um erro de sintaxe no arquivo de configuração do Nginx.
Soluções:
- Execute
sudo nginx -tpara validar a sintaxe. - Consulte o log de erros do Nginx com
sudo tail -f /var/log/nginx/error.log. - Confirme se os 15 blocos IPv4 e os 7 blocos IPv6 foram adicionados.
Problema 2: o acesso pela Cloudflare também retorna 403
Possíveis causas:
- A regra
deny all;foi colocada antes das regrasallow. - O IP usado pela Cloudflare para acessar a origem não está na lista, talvez porque ela tenha sido atualizada.
Soluções:
- Verifique o arquivo e garanta que todas as regras
allowvenham antes dedeny all;. - Acesse https://www.cloudflare.com/ips/ para confirmar se a lista está atualizada.
Problema 3: as faixas importadas no painel BT não funcionam
Possíveis causas:
- O plugin de firewall não está ativado.
- As regras não foram salvas ou o Nginx não foi reiniciado.
Soluções:
- Confirme se o plugin de firewall do Nginx está ativado, com o ícone verde.
- Reinicie o serviço Nginx pelo painel BT.
- Consulte o log do firewall do painel para verificar se houve algum erro.
Problema 4: ainda é possível contornar a lista pelo IPv6
Possível causa:
- Somente a lista IPv4 foi configurada; as faixas IPv6 foram esquecidas.
Soluções:
- Adicione as faixas IPv6 da Cloudflare à lista de permissões.
- Se você não precisa de acesso IPv6, desative-o diretamente no firewall.
Outras recomendações de segurança
Configurar a lista de permissões é apenas o primeiro passo. Também vale adotar estas medidas:
- Alterar a porta SSH: a porta padrão 22 é alvo frequente de varreduras; troque-a por outra porta alta.
- Atualizar o sistema regularmente: instale correções em tempo hábil para eliminar vulnerabilidades.
- Ocultar a versão do Nginx: adicione
server_tokens off;ao arquivo nginx.conf. - Usar o modo Under Attack da Cloudflare: durante um ataque intenso, ative o desafio de cinco segundos.
Manutenção e atualização da lista de IPs da Cloudflare
Como já vimos, a Cloudflare pode adicionar ou ajustar faixas de IP. Se a lista não for atualizada, novos endereços poderão ser bloqueados, causando falhas de acesso ao site.
Por que é necessário atualizar regularmente?
A Cloudflare opera centenas de data centers no mundo todo, e suas faixas de IP acompanham a expansão da infraestrutura. Elas não mudam todos os dias, mas podem ser atualizadas a cada poucos meses.
Se a lista de permissões estiver desatualizada, um novo IP usado pela Cloudflare para acessar a origem poderá ser bloqueado pelo firewall. Isso pode impedir o acesso de usuários de algumas regiões ou fazer com que as solicitações à origem sejam recusadas.
Atualização manual
A opção mais simples é acessar https://www.cloudflare.com/ips/ periodicamente, por exemplo, a cada 2 ou 3 meses, e comparar a lista oficial com a sua configuração.
Se houver alterações:
- Edite o arquivo da lista de permissões.
- Adicione as novas faixas de IP.
- Teste a configuração do Nginx com
sudo nginx -t. - Recarregue o Nginx com
sudo systemctl reload nginx.
Script de atualização automática (opcional)
Se quiser reduzir o trabalho manual, use um script bash simples para obter as listas atuais e atualizar a configuração. Este é um exemplo:
#!/bin/bash
# Script de atualização automática da lista de IPs da Cloudflare
CF_IPV4_URL="https://www.cloudflare.com/ips-v4"
CF_IPV6_URL="https://www.cloudflare.com/ips-v6"
NGINX_CONF="/etc/nginx/cloudflare-whitelist.conf"
BACKUP_CONF="/etc/nginx/cloudflare-whitelist.conf.bak"
# Faz backup da configuração atual
cp $NGINX_CONF $BACKUP_CONF
# Gera a nova configuração
echo "# Cloudflare IP Whitelist - Auto-generated on $(date)" > $NGINX_CONF
echo "" >> $NGINX_CONF
# Faixas IPv4
echo "# IPv4 ranges" >> $NGINX_CONF
curl -s $CF_IPV4_URL | sed 's/^/allow /' | sed 's/$/;/' >> $NGINX_CONF
echo "" >> $NGINX_CONF
# Faixas IPv6
echo "# IPv6 ranges" >> $NGINX_CONF
curl -s $CF_IPV6_URL | sed 's/^/allow /' | sed 's/$/;/' >> $NGINX_CONF
echo "" >> $NGINX_CONF
# Bloqueia todos os outros IPs
echo "# Deny all other IPs" >> $NGINX_CONF
echo "deny all;" >> $NGINX_CONF
# Testa a configuração
if nginx -t; then
echo "A sintaxe está correta; recarregando o Nginx..."
systemctl reload nginx
echo "✓ Lista de permissões da Cloudflare atualizada com sucesso!"
else
echo "✗ Erro no arquivo de configuração; restaurando o backup..."
cp $BACKUP_CONF $NGINX_CONF
echo "A configuração anterior foi restaurada. Verifique o erro."
fi
Salve o arquivo como /root/update-cf-whitelist.sh e conceda permissão de execução:
chmod +x /root/update-cf-whitelist.sh
Depois, crie uma tarefa cron para executá-lo automaticamente uma vez por mês:
crontab -e
Adicione esta linha:
0 3 1 * * /root/update-cf-whitelist.sh >> /var/log/cf-whitelist-update.log 2>&1
Assim, o script atualizará a lista às 3h do primeiro dia de cada mês e registrará a saída em /var/log/cf-whitelist-update.log.
Dica: antes de criar a tarefa agendada, execute o script manualmente para confirmar que tudo funciona. Se houver algum bug, uma execução automática poderá danificar a configuração.
Conclusão
Depois de tudo isso, a ideia principal cabe em uma frase: para proteger o servidor de origem, é indispensável configurar a lista de permissões da Cloudflare.
Vamos recapitular os três métodos:
- Lista de permissões no painel BT: é a opção mais simples, configurada com alguns cliques e indicada para iniciantes. A desvantagem é aceitar apenas IPv4.
- Configuração direta no Nginx: oferece mais flexibilidade, aceita IPv6 e facilita o gerenciamento e a atualização do arquivo. É indicada para quem tem conhecimentos básicos de Linux.
- Validação por certificado do servidor de origem: é a opção mais segura, com proteção dupla, adequada a cenários com requisitos elevados de segurança.
Independentemente da opção escolhida, faça os testes depois da configuração. Acesse diretamente o IP de origem por uma rede móvel 4G; se a resposta for 403, a regra está funcionando. Em seguida, acesse pelo domínio para confirmar que o site abre normalmente.
Por fim, lembre-se de que a lista de IPs da Cloudflare pode mudar. Verifique-a regularmente ou use o script automatizado. Não configure uma vez e esqueça: se a Cloudflare adicionar novas faixas alguns meses depois e sua lista continuar antiga, o site poderá apresentar falhas de acesso.
Se este artigo foi útil, compartilhe-o com outros administradores que também usam a Cloudflare. Quanto melhor protegermos nossos servidores de origem, mais difícil será a ação dos invasores.
Você também pode verificar agora mesmo se o IP de origem já vazou. Consulte o certificado em um site como myssl.com e veja se o endereço está exposto. Se estiver, configure a lista de permissões seguindo este guia; ainda há tempo para corrigir a proteção.
FAQ
Por que o IP do servidor de origem vaza? Quais são as causas mais comuns?
1) Sites de consulta de certificados SSL, como myssl.com, podem expor o IP de origem:
• Ao verificar o certificado SSL de um site que usa a CDN da Cloudflare, o endereço IP do servidor de origem pode aparecer
2) Registros DNS históricos podem ficar armazenados em serviços de consulta DNS:
• Alguns provedores mantêm esses dados permanentemente
• Mesmo depois da migração para a Cloudflare, os registros antigos ainda podem revelar o IP anterior
3) Subdomínios ou sistemas de e-mail podem não passar pela CDN:
• Basta um invasor executar ping em um subdomínio ou consultar o cabeçalho original de um e-mail para descobrir o IP de origem
Depois do vazamento, o invasor pode contornar a Cloudflare e atacar diretamente o servidor, enviar tráfego DDoS à origem e fazer varreduras de portas em busca de vulnerabilidades.
Onde obter a lista de IPs de origem da Cloudflare e como mantê-la atualizada?
• Lista completa: https://www.cloudflare.com/ips/
• Lista IPv4: https://www.cloudflare.com/ips-v4
• Lista IPv6: https://www.cloudflare.com/ips-v6
Faixas atuais:
• O IPv4 inclui 15 blocos CIDR, cobrindo cerca de 1,78 milhão de IPs
• O IPv6 inclui 7 blocos
Recomendações de atualização:
• A lista de IPs é atualizada periodicamente, sem calendário fixo
• Acesse a página oficial a cada 2 ou 3 meses para verificar se há novas faixas
• Como alternativa, use um script automatizado com uma tarefa cron mensal
Se a lista não for atualizada, novos IPs da Cloudflare poderão ser bloqueados pelo firewall e usuários de algumas regiões poderão perder o acesso ao site.
Qual é a diferença entre os três métodos e qual devo escolher?
• É a opção mais simples e pode ser configurada pela interface, sendo adequada para iniciantes
• Porém, aceita apenas IPv4; o IPv6 exige configuração manual
2) Configuração direta no Nginx:
• É mais flexível e aceita IPv6
• Um arquivo separado facilita as atualizações
• Vários sites podem reutilizar o mesmo arquivo
• É indicada para quem tem conhecimentos básicos de Linux
3) Validação por certificado do servidor de origem:
• É a opção mais segura, com proteção dupla: lista de IPs e validação do certificado
• Mesmo que o IP de origem vaze, o acesso direto resultará em erro de certificado
• É indicada para cenários com requisitos elevados de segurança
Recomendação: para a maioria dos administradores, a lista de permissões de IPs é suficiente. Em cenários mais sensíveis, adicione também a validação por certificado de origem.
Como configurar a lista de permissões no Nginx? Quais são as etapas principais?
1) Crie o arquivo de configuração:
• sudo nano /etc/nginx/cloudflare-whitelist.conf
• Adicione regras allow para todas as faixas IPv4 e IPv6 da Cloudflare
• No final, adicione deny all para rejeitar todos os demais IPs
• Atenção: deny all deve vir depois das regras allow
2) Edite a configuração do site:
• /etc/nginx/sites-available/your-site.conf
• Adicione include /etc/nginx/cloudflare-whitelist.conf ao bloco server
• Faça isso tanto no HTTP quanto no HTTPS
3) Teste e recarregue:
• Teste a configuração com sudo nginx -t
• Recarregue com sudo systemctl reload nginx
Mantenha a lista em um arquivo separado. Assim, para atualizar os IPs no futuro, basta editar cloudflare-whitelist.conf.
Como verificar se a configuração funciona e resolver os problemas mais comuns?
1) Em uma rede móvel 4G, que não seja tráfego da Cloudflare, acesse diretamente o IP de origem; a resposta deve ser 403 Forbidden
2) Acesse pelo domínio, passando pelo proxy da Cloudflare; o site deve abrir normalmente
Problemas comuns:
1) Erro 502:
• Confira se todas as faixas foram incluídas: 15 blocos IPv4 e 7 blocos IPv6
• Valide a sintaxe com sudo nginx -t
• Verifique se o firewall está ativado
2) O acesso pela Cloudflare também retorna 403:
• Confira se deny all está depois das regras allow
• Verifique em https://www.cloudflare.com/ips/ se a lista está atualizada
3) Contorno por IPv6:
• Adicione as faixas IPv6 da Cloudflare à lista de permissões
• Ou desative o IPv6 diretamente no firewall
Como automatizar a atualização da lista de IPs da Cloudflare?
Fluxo do script:
1) Fazer backup da configuração atual
2) Obter as listas IPv4 e IPv6 nos endereços oficiais da Cloudflare
3) Gerar um novo arquivo com as regras allow e deny all
4) Testar a sintaxe do Nginx; se estiver correta, recarregar o serviço; se houver erro, restaurar o backup
Configuração:
• Salve o script como /root/update-cf-whitelist.sh
• Conceda permissão de execução com chmod +x
• Crie uma tarefa no cron com crontab -e para executá-lo às 3h do primeiro dia de cada mês:
0 3 1 * * /root/update-cf-whitelist.sh >> /var/log/cf-whitelist-update.log 2>&1
Antes de agendar, execute o script manualmente uma vez para confirmar que tudo funciona.
16 min de leitura · Publicado em: 21 nov 2025 · Atualizado em: 4 set 2026
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